Wednesday, April 4, 2007

geometria e kitsch


O kitsch é vulgarização - há algo de nojento e de má experiência. O misticismo axaropado e a acefalia são seus contribuintes. Degradês grotescos! O absoluto em edição disgusting! É tudo uma questão de higiene mental. A geometria seria um bom antidoto para o kitsch, mas há quem consiga pervertê-la com brilhos inadequados. Os misticismos são frequentes acompanhantes do kitsch. O kistch relacha-nos, conforta-nos, estupidifica-nos e torna-nos mais domesticáveis. O kitsch é frequentemente um exagero tecnológico, é a espuma (ou os suburbios) das modernidades.


O bom gosto é inibidor? Em parte, se o cultivarmos como um dogma. Pelo contrário o bom gosto é algo mais natural, mais institivo, mais antigo, mais simples. Conservador? De modo nenhum - é o que põe o mais antigo no mais actual, sem reverências.


Bom gosto - simples e complexo.

Kitsch - complicado, confuso, rebuscado.

Tuesday, March 27, 2007

frankye goes sousa


sempre amei as riscas paralelas do frank stella - assim como as linhas subtis do ângelo de sousa - ambos têm algo de africano que tentei sintetizar num desenhito da altura das minhas descobertas dos trigramas , como as três direcções que nos cochicham num plano

o caso dos 9







o meu interesse por Ad Reinhardt e Almada derivava do uso do número 9 como estrutura visual - o mesmo número de triângulos da tetrakis, e da relação 9/10 já referida do Almada Negreiros
num destes esquemas associava os diagramas com as côres que se combinavam nos 81 tetragramas, assim como a estabilidade/instabilidade dos 27 trigramas, o que serviria para discorrer sobre a maneira como é que um trigrama a contar de baixo se acasalava com um a contar de cima e outras peripécias do género
não estava preocupado com nenhuma consequência «mística», mas apenas em seguir o jogo, um pouco dentro do espirito de um Soll Lewit



o canone da suprema obscuridade




recordo-me de em 84, quando formulei a teoria do ângulo recto à luz da relação doxa/paradoxa, de ter posto levemente a hipótese de um I Ching trenário - hipótese que desenvolvi com esquemas e estruturas durante o inicio dos anos 90( e posteriormente de uma forma mais circunstancial), como se uma «revelação» ou uma obrigação tivesse caído sobre mim


a minha grande dificuldade foi em atribuir significado aos tetragramas e em ordená-los


esta pintura de inicios de 87 podia ser um emblema deste sistema


o que é certo é que só depois do inicio do milénio descobri na Internete o que só podia ser òbvio - um chinês já o tinha feito. Chamava-se Yang Hsiung, e o seu livro T'ai Hsuan Ching (ou taixuanching). O livro terá sido escrito por volta do 4 ano antes da era cristã. A sucessão dos pentagramas está associada a uma «advinhação» que se vincula ao calendário solar


o autor não é uma criatura mítica, como no caso do I Ching, e era um poeta - a sua vida acabou mal devido a atribuladas questões politicas - o livro é «neo-confunciano», com muita influência taoista- é um tratado com enfase na complexidade, aceitando dosagens de ordem e de desordem, de organização e desorganização, um livro que Edgar Morin e outros deveriam ler como percursor
vale a pena ler o artigo da tradutora (embora haja uma tradução anterior menos recomendada) e de um seu colega

vort(ex)







a temível diagonal ascendente que intersecta tudo - em 86/87 estes híbridos chamavam-me como um espaço que, por mais falso que parecesse, me tornava mais plural, através da heteronímia, e de uma «sinceridade» contruída a partir do motto «fraude de fraude» - é através de um complexo jogo de dissimulações e divergências que os fragmentos do mundo se associam em algo que me parece maravilhoso - numas época de cinismo e de endgame toma as redeas da rememoração não como um espectro do passado, mas como algo que está em potência de reflorescer no presente - afinal, apesar dos minimalismos, tudo foi hibrído enquanto vida - a geometria fortalece as aparições híbridas

no inicio tudo é sensivel, habitado por uma densa e secreta geometria que a nada se subjuga, e que sentimos como uma doce e vigorosa tensão


depois tudo é ready-made, com complexas teorias, escandalosos fins, sumptuosos e codificados absolutos, cínicos paradoxos, excitantes promessas, repetidas frustrações


depois tudo volta a serainda mais sensível, embora a geometria seja mais òbvia

Saturday, March 24, 2007

tantric suprematism

Malevich é iconofilo - ama a complexidade, a vertigem, os velhos icones. Acredita na força das imagens e não na sua submissão a uma tranquila harmonia. Fiz-lhe uma homenagewm num livro «tantric suprematism»